Por setor

Criar uma plataforma de aluguer entre particulares

Calendário, caução, seguro e regras do rent-a-car: como criar uma plataforma de aluguer entre particulares (material, carros, barcos) e quanto custa de facto.

Por A equipa Marketplace Factory · 10 min de leitura
Cap au large, marketplace de aluguer de barcos gerado pelo estúdio.
Captura do estúdioCap au large, marketplace de aluguer de barcos gerado pelo estúdio.
Índice

Alugar não é vender: o objeto volta, e tudo se decide aí. Para criar uma plataforma de aluguer entre particulares, seja de carros, de barcos ou de material de campismo, é preciso resolver três questões que a venda ignora: o calendário, a caução e o seguro. Em Portugal há uma quarta, que muitos descobrem tarde: o aluguer de carros sem condutor é uma atividade regulada. Este guia trata-as por ordem, com custos lidos a 27 de setembro de 2026 e três exemplos que a Marketplace Factory criou, cada um a partir de uma frase: «Clé en main», «Cap au large» e «Grand Air».

O que uma plataforma de aluguer tem de fazer

Uma plataforma de aluguer é um marketplace em que cada anúncio tem uma agenda. Seis funcionalidades fazem a diferença:

  1. Um calendário por objeto: datas livres, duração mínima, preço ao dia, à semana ou por época.
  2. Um total calculado antes do pedido: número de dias vezes a tarifa, mais as opções (cadeira de criança, skipper, entrega). O locatário sabe quanto vai pagar antes de escrever.
  3. Condições legíveis na ficha: valor da caução, carta exigida, idade mínima, quilómetros incluídos.
  4. A entrega e a devolução: local, horários, entrega ao domicílio se houver, e uma vistoria com fotos à partida e à chegada.
  5. Avaliações cruzadas: o locatário avalia o objeto e o locador, o locador avalia o locatário. É a memória da confiança.
  6. Mensagens ligadas à reserva, para que cada conversa fique presa às suas datas.

A ficha muda com o setor:

SetorO que a ficha tem de dizerO ponto sensível
Carroscarta exigida e antiguidade, idade mínima, quilómetros incluídos, combustível, cauçãoo seguro e o enquadramento do rent-a-car
Barcostipo, lotação, porto de abrigo, com ou sem skipper, carta de navegador exigida, duração mínimao tempo e o cancelamento
Material (campismo, ferramentas)estado, tamanho, peso, instruções, o que vem incluídoas quebras e o desgaste

Em «Clé en main», carros de particulares para alugar em Bordéus, a Marketplace Factory arruma a ficha em secções: o veículo, ao volante, entrega, tarifas e caução. Lê-se a carta exigida (por exemplo, categoria B com dois anos), a idade mínima, os quilómetros incluídos, o preço do quilómetro extra, o valor da caução e a menção de seguro contra todos os riscos. Estes campos obrigam o locador a responder, antes do primeiro pedido, às perguntas que fazem falhar os alugueres.

Particulares, profissionais ou os dois

Os particulares trazem uma oferta abundante e preços baixos, mas disponibilidades irregulares. Os profissionais (empresas de rent-a-car, operadores náuticos, lojas de desporto) trazem stock fiável, horários cumpridos e os seus próprios seguros e licenças. Começar por eles é muitas vezes o mais seguro, e em Portugal é quase uma necessidade para os carros, como se verá.

Misturar os dois é possível, desde que se diga. O Decreto-Lei n.º 24/2014 obriga o prestador de um mercado em linha a informar o consumidor se quem oferece é ou não um profissional e, se não for, que os direitos do consumidor não se aplicam (art. 4.º-A). Na prática: uma etiqueta «Particular» ou «Profissional» em cada ficha, e uma página de ajuda que explica o que muda. Nos marketplaces criados com a Marketplace Factory, cada locador declara este estatuto antes de poder publicar a sua página.

Uma nota útil para as suas condições: o direito de livre resolução de 14 dias não se aplica aos serviços de aluguer de automóveis nem às atividades de lazer quando o contrato prevê uma data ou um período de execução específicos (art. 17.º, n.º 1, alínea k, do mesmo decreto-lei). São, portanto, as suas condições de cancelamento que valem: escreva-as e mostre-as em cada ficha.

O dinheiro: pagamento, caução, comissão

O esquema corrente: o locatário paga na reserva, a plataforma fica com a comissão, o locador recebe o resto. O percurso do dinheiro, as contas dos locadores e a sua verificação estão no nosso artigo sobre pagamentos num marketplace com Stripe Connect.

A caução, sem debitar

A caução faz-se quase sempre por pré-autorização no cartão: uma autorização sem débito, libertada na devolução ou capturada se houver danos. O limite é o tempo. No Stripe, o montante fica em geral cativo sete dias para pagamentos online (documentação do Stripe); depois, a autorização caduca. As autorizações prolongadas vão até 30 dias em certas categorias, entre elas o aluguer de veículos, mas o Stripe reserva-as à sua tarifação IC+. E atenção aos meios locais: o MB WAY, tal como o Multibanco, não permite captura manual, logo não serve para uma caução.

Três regras decorrem daqui:

  • faça a pré-autorização na véspera da partida, nunca no momento da reserva;
  • para um aluguer de mais de seis dias, preveja uma caução cobrada e depois reembolsada, ou a autorização prolongada;
  • mostre o valor da caução na ficha, antes do pedido.

Nos marketplaces da Marketplace Factory, esse valor aparece em cada ficha, antes do pedido, e a caução trata-se na entrega entre locador e locatário, fora do site.

Um exemplo com números

Um fim de semana com um citadino de «Clé en main»: 2 dias a 45 €, ou seja, 90 €, uma comissão de 15 % e uma caução de 800 € indicada na ficha.

LinhaMontante
Pago pelo locatário90,00 €
Comissão da plataforma, 15 %13,50 €
Custo Stripe, cartão europeu standard ou MB WAY: 1,5 % + 0,25 €1,60 €
Parte da Marketplace Factory, 2 % no Lançamento1,80 €
Recebido pelo locador76,50 €
Fica para a plataforma, antes dos custos do Connect10,10 €
Caução de 800 €à parte, nunca debitada sem danos

No Pro, a nossa parte desce para 1,5 %, ou seja, 1,35 €, e ficam 10,55 € para a plataforma. Custos lidos na tabela do Stripe em Portugal. Conforme a fórmula do Connect, some até 2 € por locador ativo e por mês, e 0,25 % + 0,10 € por transferência (preços do Stripe Connect). A taxa de comissão certa discute-se no artigo sobre o modelo de negócio de um marketplace.

O seguro e o rent-a-car: os verdadeiros temas

Para um veículo a motor, a regra é simples: só pode circular com a responsabilidade civil coberta por seguro (Decreto-Lei n.º 291/2007, art. 4.º). A dificuldade está noutro lado. A apólice de um particular foi escrita para o uso dele; alugar o carro a desconhecidos, a troco de dinheiro, é outro risco, que a seguradora tem de ter aceite.

As plataformas estabelecidas resolveram a questão antes de abrir. A Getaround, em França, escreve que precisou, em 2010, de um ano para obter um contrato pensado para o aluguer de carros entre particulares; os seus alugueres são hoje segurados pela AXA (responsabilidade civil, danos no veículo, incêndio, furto), sem afetar o bónus do proprietário (página de seguros da Getaround, consultada a 27 de setembro de 2026). É o nível que os seus locatários vão esperar.

Em Portugal soma-se o enquadramento da atividade. O Decreto-Lei n.º 99/2026, de 22 de maio, alterou o regime do rent-a-car (Decreto-Lei n.º 181/2012): o aluguer de veículos de passageiros sem condutor e a partilha de veículos estão sujeitos a comunicação prévia ao IMT, feita no gov.pt, e podem ser feitos através de sites e plataformas eletrónicas «desde que os respetivos operadores detenham a permissão administrativa de acesso à atividade». O regime aplica-se aos locadores que usam plataformas um ano depois da entrada em vigor do decreto, ou seja, a partir de meados de 2027. Se quer abrir uma plataforma de carros entre particulares em Portugal, peça a um advogado que confirme, para o seu modelo, se os seus locadores precisam dessa permissão.

Para os barcos, outro regime: segundo a ASAE, os operadores marítimo-turísticos têm de estar registados no Registo Nacional de Agentes de Animação Turística (RNAAT) e manter seguros obrigatórios. Confirme o enquadramento dos seus locadores de barcos antes de os pôr online.

Para uma plataforma nova, três vias realistas:

  1. Começar com locadores profissionais, que já alugam com a sua própria apólice e o seu registo. Pede o comprovativo e abre depressa.
  2. Começar com material não motorizado (tendas, ferramentas, material de campismo), onde o seguro obrigatório automóvel não se põe. A caução, as fotos à partida e à chegada e regras claras de quebras fazem o essencial.
  3. Negociar um contrato por aluguer com uma seguradora ou um mediador, quando o volume o justificar. O exemplo da Getaround dá a ordem de grandeza: meses, não dias.

O fisco: o que muda para um aluguer

O aluguer de qualquer meio de transporte é uma das quatro atividades abrangidas pelo DAC7, com a venda de bens, os serviços pessoais e o arrendamento de imóveis (Lei n.º 36/2023). O operador comunica os rendimentos dos locadores à Autoridade Tributária até 31 de janeiro do ano seguinte e informa-os no mesmo prazo. Três precisões contam aqui:

  • Não há limiar para os veículos. A exclusão dos vendedores com menos de 30 vendas e até 2 000 € só vale para a venda de bens. Um particular que aluga o carro duas vezes por ano é comunicado.
  • O material é outra coisa. Uma tenda ou um berbequim não são um meio de transporte nem um imóvel: tal como a lei define as quatro atividades, o aluguer de material não entra nelas. É uma leitura nossa; peça confirmação se a plataforma misturar veículos e material.
  • Um simples site de anúncios não é uma «plataforma». A lei exclui o software que se limita a processar pagamentos, a permitir anunciar uma atividade ou a redirecionar os utilizadores, sem outra intervenção. Logo que organize a reserva, e mais ainda o pagamento, considere que o DAC7 se lhe aplica.

O resto do quadro (DSA, RGPD, livro de reclamações, resolução de litígios) é comum a todos os marketplaces: veja as obrigações legais de um marketplace em 2026.

Três exemplos, três formas de alugar

A Marketplace Factory criou estes marketplaces, cada um a partir de uma só frase em francês, em poucos minutos. São demonstrações, não sites de clientes.

  • Clé en main: carros de particulares para alugar perto de casa, em Bordéus. Estilo utilitário, fichas por secções. O ponto-chave: o seguro, logo locadores escolhidos um a um; em Portugal, também o enquadramento do rent-a-car.
  • Cap au large: veleiros e barcos a motor para alugar ao dia, com ou sem skipper. Estilo editorial, com uma secção de barcos com skipper. O ponto-chave: o cancelamento por mau tempo, escrito preto no branco.
  • Grand Air: material de ar livre para alugar entre apaixonados. Estilo bruto, muitos anúncios a preço baixo. O ponto-chave: as fotos à partida e à chegada.

Os três visitam-se na galeria de exemplos, com os quatro espaços: site público, espaço do cliente, espaço do vendedor (o dos locadores) e back-office.

Orçamento e calendário de lançamento

EtapaPlano Marketplace Factory, sem IVAO que tem
ExperimentarStudio, 0 €propostas completas em poucos minutos, retoques, pré-visualização privada
AbrirLançamento, 79 € por mês + 2 % dos alugueres pagos onlinesite online em nome.marketplacefactory.app, calendário e pedidos de datas, pagamento online na sua conta Stripe, a sua comissão, locadores pagos, valor da caução em cada ficha, avaliações
Tornar-se uma marcaPro, 199 € por mês + 1,5 %tudo do Lançamento, mais até 3 nomes de domínio, os seus e-mails enviados a partir do seu domínio, conectores, vários administradores

A nossa parte aplica-se apenas aos alugueres pagos online no seu site, deduzidos os reembolsos: nem aos pedidos pagos diretamente, nem à caução. O Stripe cobra ainda os seus custos segundo a sua tabela. O que paga no total por mês, sem IVA e sem os custos do Stripe:

Alugueres pagos online por mês1 000 €5 000 €10 000 €
Lançamento, 79 € + 2 %99 €179 €279 €
Pro, 199 € + 1,5 %214 €274 €349 €
Dedicado, desde 990 € + 1 %1 000 €1 040 €1 090 €

Acima de cerca de 24 000 € de alugueres por mês, o Pro sai mais barato do que o Lançamento. Durante a beta, experimenta tudo sem pagar nada: os pagamentos funcionam em modo de teste. O detalhe dos planos está na página de preços, e o custo completo de uma plataforma em quanto custa criar um marketplace.

Um calendário realista:

  • Semana 1: escrever a frase, escolher entre as propostas, retocar textos e fotos.
  • Semanas 2 a 4: recrutar vinte locadores à mão, numa só cidade; o método está em atrair os primeiros vendedores.
  • Meses 2 e 3: abrir em modo pedido, medir a taxa de aceitação e o prazo de resposta dos locadores.
  • Depois: passar ao pagamento online quando os pedidos chegarem todas as semanas e o seguro estiver resolvido.

A lista de verificação

  • Um setor e uma cidade, não mais, no início.
  • Em cada ficha: a caução, as condições e o total estimado.
  • A etiqueta «Particular» ou «Profissional», visível.
  • Condições de cancelamento escritas, mostradas antes do pedido.
  • O seguro resolvido para cada tipo de objeto, e o registo exigido (IMT, RNAAT) verificado.
  • A pré-autorização da caução na véspera da partida, com cartão.
  • Vistorias com fotos, à partida e à chegada.
  • Avaliações nos dois sentidos.
  • O NIF, a data de nascimento e a morada dos locadores, recolhidos para o DAC7.
  • Um acompanhamento semanal: pedidos, aceitações, litígios.

Para situar o aluguer no percurso inteiro, da ideia às primeiras vendas, leia o guia sobre como criar um marketplace.

Com a Marketplace Factory, a sua plataforma de aluguer chega completa a partir de uma frase: um calendário por objeto, fichas que indicam a caução e as condições, mensagens, avaliações, o espaço dos locadores e o back-office, pagamento online desde o plano Lançamento, sem uma linha de código.

Perguntas frequentes

Como gerir a caução numa plataforma de aluguer?

Quase sempre por pré-autorização no cartão: o montante fica cativo sem ser debitado, e é libertado na devolução ou capturado se houver danos. No Stripe, uma autorização com cartão online dura em geral sete dias. Faça-a na véspera da partida, e para alugueres mais longos preveja uma caução cobrada e depois reembolsada. O MB WAY e o Multibanco não permitem pré-autorização.

É preciso um seguro próprio para alugar carros entre particulares?

Qualquer carro que circule tem de ter seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel, mas a apólice de um particular não foi escrita para alugar a desconhecidos. As plataformas estabelecidas cobrem cada aluguer com um contrato próprio: a Getaround diz ter levado um ano a obtê-lo. Em Portugal, o rent-a-car é ainda uma atividade sujeita a comunicação prévia ao IMT: comece por locadores profissionais.

Os rendimentos dos locadores particulares são comunicados às Finanças?

Sim, no caso dos meios de transporte. O aluguer de qualquer meio de transporte faz parte das atividades abrangidas pelo DAC7, sem o limiar de 30 vendas e 2 000 € reservado à venda de bens. O operador comunica os rendimentos dos locadores à Autoridade Tributária até 31 de janeiro e entrega-lhes o detalhe. O aluguer de material, esse, não entra nas quatro categorias tal como a lei as define.

Posso lançar uma plataforma de aluguer sem pagamento online?

Sim. Em modo pedido, o locatário escolhe as datas, o locador aceita ou recusa, e os dois tratam do pagamento e da caução diretamente. Com a Marketplace Factory, o pagamento online está incluído desde o plano Lançamento, a 79 € por mês sem IVA mais 2 % dos alugueres pagos online: ativa-se quando os pedidos chegam todas as semanas e o seguro está resolvido, sem mudar de plano.

Fontes11

As páginas citadas no artigo, consultadas na data indicada no texto.

  1. docs.stripe.com/payments/place-a-hold-on-a-payment-method
  2. docs.stripe.com/payments/extended-authorization
  3. docs.stripe.com/payments/mb-way
  4. stripe.com/pt/pricing
  5. stripe.com/pt/connect/pricing
  6. pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=973&tabela=leis
  7. fr.getaround.com/assurance-location-voiture-particulier
  8. diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/99-2026-1125313598
  9. asae.gov.pt/perguntas-frequentes1/area-economica/empresas-de-animacao-turistica.aspx
  10. pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=2062&tabela=leis
  11. diariodarepublica.pt/dr/detalhe/lei/36-2023-216188321

Estes artigos são escritos pela equipa Marketplace Factory, que constrói o estúdio e os marketplaces que ele gera. Como escrevemos